A diretoria do Gama enfim encontrou um culpado para a coleção sucessiva de fracassos. Depois de ser rebaixado para a Série D do Brasileiro em 2010, de terminar a primeira fase do Campeonato Candango em quarto lugar e de apanhar por 3 x 0 do Brasiliense na abertura do quadrangular, a cúpula alviverde resolveu reivindicar a realização de exame antidoping em todas as suas partidas daqui em diante. Previsto no Capítulo 12 do regulamento assinado pelos oito clubes antes do início da competição, o procedimento de “repressão à dopagem”, como diz o título do texto, não foi obedecido em nenhum dos 58 jogos realizados até o momento – 56 na etapa classificatória e dois na segunda fase.
O alvo principal da desconfiança do Gama é o Formosa, adversário alviverde no domingo, às 16h, no Estádio Diogão. Segundo colocado na primeira fase, o time goiano terminou a primeira fase em segundo lugar e venceu o Botafogo-DF na estreia. “É um exame previsto na legislação e nós solicitamos à Federação Brasiliense de Futebol que isso ocorra em todos os nossos jogos”, revelou Paulo Goyaz.
Indagado se teria alguma suspeita, o cartola do Gama deu uma longa risada. “Não posso entrar em detalhes, mas a gente não tem uma situação financeira tão boa que possa gastar essa nota à toa”, ironizou Goyaz. O valor médio a ser gasto por jogo em que seja realizado o exame é de R$ 3 mil por partida. “Quem solicita é o responsável pelo pagamento”, reforça Goyaz.
O vice-presidente do Gama, Carlos Macedo, confirma a suspeita, mas não se aprofunda. “Essa é apenas uma medida de precaução. Estamos na reta final do Candangão e queremos o título. Acho engraçado como outros times correm demais contra o Gama”, ironiza Macedo. O dirigente nega que a postura do Gama seja uma medida desesperada. “Perdemos para aquele time lá (Brasiliense), mas foi apenas um acidente de percurso. Estamos vivos”, garante.
Contra-ataque
A pressão do Gama pode ter um efeito contrário ao planejado. Sob desconfiança, o Formosa resolveu transformar a cobrança por exame antidoping em motivação. “Eles farão de tudo para desestabilizar a nossa equipe, mas não vão conseguir. Esse tipo de desconfiança, se existe mesmo, só serve para nos motivar. Confio na conduta dos meus atletas”, rebateu o técnico de clube goiano, Auecione Alves.
Alegação
Procurado pela reportagem, o departamento técnico da Federação Brasiliense de Futebol (FBF) alegou que não existe antidoping no Candangão porque a FBF não tem recurso para bancar. Por isso, depende da solicitação do clube, neste caso, do Gama. A única função da entidade, portanto, é providenciar espaço para o exame e comunicar aos clubes.
SAIBA MAIS
O que diz o regulamento
Art.40 - Qualquer atleta que tenha disputado a partida, integral ou parcialmente, mesmo como substituto (regra 3), estará sujeito ao exame de controle de dopagem, observadas as normas da legislação em vigor.
Parágrafo único — Se o exame for requerido especialmente por um clube disputante, as despesas concorrentes de sua realização correrão por sua conta. Se o exame cumprir determinações da FBF terá seu custo deduzido da renda da partida.
A FRITURA CONTINUA
Conforme o Super Esportes publicou ontem, a relação entre a cúpula do Gama e Heriberto da Cunha está longe do ideal. Goyaz nega a chance de demitir o treinador, mas pessoas ligadas ao clube dizem que o comandante pode ser mandado embora ou pedir demissão a qualquer momento. Além de expor o técnico Heriberto da Cunha na entrevista de quarta-feira, Paulo Goyaz criticou a postura do elenco. “O Formosa tem que viajar em condições precárias e ganha seus jogos, joga com disposição. Aí alguns jogadores dizem que eles se motivam por enfrentar times maiores, mas o nosso grupo tem obrigação de vencer, recebe toda a mordomia. É preciso acabar com as desculpas”, detonou.
Botafogo-DF em greve
Às vésperas de enfrentar o Brasiliense pela segunda rodada do quadrangular semifinal, o Botafogo-DF teve uma surpresa. Ontem, a equipe tinha treino marcado para o Estádio da Metropolitana, mas a atividade não ocorreu. Segundo o técnico Augusto César, os atletas do alvinegro se recusaram a treinar. “Os jogadores se reuniram e disseram que não iam treinar por conta do atraso nos salários”, revelou o comandante, por telefone, afirmando que todos foram até o local, mas não quiseram entrar em campo.
O Correio ligou para o presidente do Botafogo-DF, Walter Theodoro, para confirmar o atraso nos salários, mas o celular do dirigente estava desligado. O atacante Túlio Maravilha, que durante a semana reclamou de ser reserva, ignorou a crise da tarde. Ele afirmou que o elenco havia treinado e que estava animado para o confronto com o Brasiliense, domingo, às 16h, no Serejão. Ainda de acordo com o técnico Augusto César, a equipe tem treino marcado para hoje à tarde, no Cave.
Ontem, a reportagem recebeu uma denúncia anônima. O suposto atleta do Botafogo-DF revelou que os jogadores realmente decidiram entrar em greve em razão dos dois meses de salários atrasados.
O que eles disseram
“A gente não tem uma situação financeira tão boa para que possamos gastar essa nota (com a realização de antidoping) à toa”
Paulo Goyaz, presidente do Gama
“Acho engraçado como outros times correm demais contra o Gama”
Carlos Macedo, vice-presidente do Gama
Opiniao : "Desde que o Sr.Paulo Goyaz entro no time do Gama o Gama so vem tendo fracassos , e agora vem com de exame antidoping . Todo mundo quer esse Paulo Goyaz longe do Gama . Fora P.G ja ! "
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